3.5.07

Sexo

Diz que estreará brevemente o filme Shortbus. Cito:

Não querendo ser um tratado sobre relações sexuais, ‘Shortbus”, filme a estrear em Portugal na próxima quinta-feira e que em muitos países foi classificado de pornográfico, é uma produção quase obrigatória para compreender o ‘entra e sai’ nas sociedades modernas e porque razão o sexo deve ser tratado como é e mostrado tal e qual como se faz.

Não sei se o filme é bom, não o vi. Mas já me fez perguntar-me algumas coisas. Sempre quis escrever um post com uma abordagem séria sobre o sexo, mas nunca consegui (também não será desta vez, mas ao menos tento)...

Ocorre-me que o sexo é das poucas actividades humanas que obriga a um equilíbrio entre corpo e mente. É uma actividade corporal, mas se o lado psicológico faz greve, o corpo não funciona. E quando feito por amor, liga-nos tanto à outra pessoa...

Eu sempre achei que a maioria das pessoas que pensa procurar apenas sexo na verdade procura mais que isso, procura amar e (mais ainda) ser amado.

Não sei. Acima de tudo, penso que o sexo é uma das coisas menos pensadas a sério. É muito feito e muito falado mas apenas na perspectiva moral ou de melhorar técnicas ou de entender problemas. No seu todo não é muito pensado?

Do ponto de vista moral, tem-se feito uma enorme confusão em torno do sexo. Confusão essa que gera mais confusão, traduzida no esforço de desconstruir uma moral absurda e no subsequente (e simultâneo) esforço em reconstruir alguma moral. No meio desta esquizofrenia, cada um que decida por si (ou, mais frequentemente, cada um decide conforme é condicionado a fazer).

Finalmente, penso na importância da harmonia no sexo. De se contentar não apenas o corpo, mas também o espírito. Das duas pessoas. Isso sim é sexo perfeito. E qualquer outra coisa ficará muito abaixo.

Gostava de conseguir dizer algo mais consequente, mas tenho esperança de que os meus leitores façam comentários articulados e que consigam exprimir aquilo que eu não consegui...

6 comentários:

luis disse...

O problema da moral sexual é que durante séculos desviou as atenções para o menos importante, as normas morais, invés de insistir na necessidade de um equilíbrio entre corpo e alma ou, se quiseres, entre sexo e amor, sexo e prazer. Acho que a questão aqui é o equilíbrio, a pessoa sentir-se bem com a sua sexualidade e com a forma como a realiza. Há pessoas ‘viciadas’ em sexo que são felizes com isso, tem o seu equilíbrio, outras não, há pessoas que têm medo da sua sexualidade, outra que criaram um sem número de bloqueio, outras que não encontram prazer no sexo, outras que ‘morrem’ de prazer com o sexo ;) etc…..etc … Fala-se pouco em sexo porque há aquela ideia (machista, diga-se de passagem) de que o sexo pratica-se e não se fala, mas o certo é que se o discurso publico sobre a sexualidade fosse mais ‘natural’ talvez se pudesse ajudar muita gente a encontrar o seu equilíbrio… pelo menos .. é isto que eu penso. . A propósito disto, no outro dia um amigo chamava-se a atenção para o facto de nós, os italianos os ingleses usarmos a mesma expressão: fazer amor/fare l’amore/make love… O amor faz-se não está pronto, dado, como um produto de supermercado, pronto a consumir.. o amor faz-se, tem de ser feito… dá trabalho… por assim dizer. Dizia-me esse amigo, com alguma razão, que na sociedade de consumo em que vivemos onde tudo está pronto, por vezes é-nos difícil fazer o que quer que seja e muito menos o amor. Fazer amor!! Aqui está uma bela expressão para sexo e amor.…

/me disse...

Gostei de ler, Luís. :)
Também acho que, como dizes, o discurso público sobre a sexualidade deveria ser mais natural. Mas parece ser uma área onde muitas pessoas têm dificuldade em baixar as defesas.

Pessoalmente, não tenho uma moral bem definida neste tema. Sei aquilo com que me sinto bem, conheço o meu ponto de equilíbrio, mas não consigo aduzir regras universais, que sejam válidas também para os outros. Bom, apenas estas duas: tanto quanto possível, 1- não magoes os outros 2- não te magoes a ti.

No contexto de uma relação a dois, acho interessante como o aspecto sexual pode ser o barómetro de tanta coisa. Como se pode evoluir e adaptar e até descobrir tanta coisa sobre @ parceir@ e crescer realmente na relação. Nesse sentido acho que é também fazer amor. :)

Aequillibrium disse...

Há quem consiga separar amor de sexo. Não duvido, mas eu nunca o consegui. Consigo fazê-lo, mas só teoricamente...
É ponto comum a várias culturas o tabu sobre o sexo. Não só na nossa, mais ocidental, mas em quase ou praticamente todas. E o problema é esse. Em vez de ser encarado com naturalidade, é sempre tratado de forma diferente. É escondido, é pecado, é sujo, é alvo de brincadeiras, é perigoso, é isto, é aquilo...
Desde crianças que temos algum tipo de contacto com conversas sobre sexo, e logo desde o início, somos levados a encará-lo de maneira diferente de tudo o resto.
Isso leva a uma multiplicidade de situações que aqui são referidas. Se é complicado o crescimento da sexualidade numa pessoa dita "normal", enfim, que se enquadra no mais frequente e básico, coitadinhos de todos os outros que têm alguma diferença (a meu ver pra melhor). Não falo só dos gays e bis. Porque é tão complicado ainda num casal hetero simplesmente falar de alguma variedade? Basta muitas vezes abordar o sexo oral para haver complicação. Um pequeno brinquedo que pode ser bastante divertido, muitas vezes é encarado como uma "taradice sexual".
Enfim,acho que ainda temos muito que evoluir como sociadade, e mesmo nós próprios, cada um de nós...
Se muitos não se compreendem a si mesmo, como podemos esperar que compreendam/aceitem os outros?

olga disse...

Há o sexo puramente utilizado como necessidade biológica.
O sexo masculino consegue na maioria, dividi-lo desta forma, mais facilmente. Mas hoje as mulheres também já o fazem.
Não tem de ser mau necessariamente desde que se consiga viver com isso. Acontece, é que fazer sexo por fazer, normalmente,abre ainda mais uma brecha de solidão existente e que muitas vezes se pretende camuflar.

P.S. Acho que estou de regresso!! :)

/me disse...

Hmm, quero crer que foi uma coincidência regressares quando fiz um post sobre sexo... (estou a brincar ;) )
:P

Anónimo disse...

Eu já tive oportunidade de ao longo de certas fases da vida, experimentar sensações diversas, quanto ao sexo.
Uma primeira coisa, que penso ninguém questiona, é que o sexo é muito importante para o ser humano, e não deverá ser visto como algo de "mau, feio, imoral,etc e tal...", antes pelo contrário.
Não condeno quem vê no sexo apenas a satisfação das suas necessidades, mas porque já passei por aí, acho que fica sempre uma sensação de frustação, pois, lá no íntimo, procura-se algo mais; mas vai-se pela via menos correcta.
Hoje vejo o sexo como um complemento essencial de um sentimento muito belo que é o amor; não é por uma questão de fidelidade ou de princípios, mas hoje, eu não me imagino a ter sexo a não ser com o meu namorado. E curiosamente, nunca fui (fomos) tão ousados (que bom), no sexo, como agora. Passo por uma prova difícil, pois estou longe de quem amo, mas guardar-me para ele, sabendo que o mesmo acontece da sua parte, compensa muita coisa.
Abraço.