9.6.06

Saudades da infância?

Este post lembrou-me de uma cena do filme Garden State, que tem uma banda sonora muito boa (danke schön , T).

Uma das personagens conta que depois de ter saído da casa onde cresceu, nunca mais conseguiu voltar àquele sítio seguro onde viveu a infância. Fisicamente sim, podia revisitar os mesmos espaços, mas já não era a mesma coisa. Concluía que o que queremos realmente ao procurar alguém com quem constituir uma família é recuperar esse sentimento perdido de um lugar onde pertencer.

Não iria tão longe, mas gostei da ideia. E gosto mais ainda dos momentos em que reencontro essa paz. Comigo mesmo, com os meus amigos, com Deus. É sempre especial.

15 comentários:

anamoris disse...

Fico contente
Bom fim de semana

Isolamentos disse...

...não concordo, não necessariamente......constituir uma família não se trata necessariamente de uma tentativa de recuperação (assim sem mais expçicações...até porque....) ....... õ_O

/me disse...

Eu também não concordo, mas gostei da ideia. :)

a gueixa disse...

Olá /me.
Não sei como vim aqui parar, mas apetece-me comentar, posso?
Concordo com a ideia, mais agora, mais velha.
Concordo com a tua, concordaria desde sempre.
:)

aequillibrium disse...

Bom FDS!!!
;)

/me disse...

Igualmente. :)

no limbo disse...

Não sabes o quanto adoro esse filme...

No entanto, pergunto-me, se alguém que não teve esse sítio seguro na infência, alguém, portanto, que não tem nada para procurar, oq ue faz? É a essses que chamamos perdidos?

Anónimo disse...

Acho que concordo com a personagem do filme.

Quanto à primeira parte concordo plenamente. Talvez por viver a muitos km do lugar onde passei a minha infância (e as minhas melhores recordações vêm daí) me seja particularmente difícil visitar o lugar onde cresci até aos oito anos. Faz-me confusão. Ficou lá um espaço físico das minhas memórias que me incomoda. Gosto da memória espaço abstracto.

Agora, no meu caso particular, sinto-me tentada a concordar com o resto do texto. Talvez de alguma forma tenha procurado na minha cara metade (que considero a família que constitui) esse mesmo espaço de silêncio e de segurança do qual só guardo memória nos tais locais "invisitáveis" da minha infância.

Não sei... Deu-me que pensar o post!

beijinho \me e
bom fim de semana
AR

Anónimo disse...

Também não iria tão longe, mas a ideia é bonita.

Jaime
www.blog.jaimegaspar.com

boleia disse...

os lugares arrastam-se connosco... nós fazemos deles o que queremos e se não acreditarmos nisso, é porque ficámos sempre no mesmo sítio...

Zé Ribeiro disse...

Claro:

Constituir uma família é construir um "âmbito" em que somos nós, inteira e completamente nós - para o que precisamos de outro, desejavelmente completado em outros ( os filhos ). Porque muito de nós só "sai" nessas condições. E, construído este "âmbito", é a ele que pertencemos, porque foi nele que nos completámos.

Em linguagem mais simples: temos duas famílias - a de origem, em que somos bebés/meninos/crianças/adolescentes, e a que constituímos. E constituimos uma família para ... voltarmos a ter uma família; para, fechada a porta da casa, reencontrarmos algo a que pertencemos.

Para mim, isto é tão evidente, que confesso ter a maior dificuldade em compreender quem não pensa assim ...

Pergunto-me sempre como não se acha angustiante uma vida em que ninguém depende de nós, em que somos os únicos senhores da nossa vida, em que não temos que "prestar contas" a alguém de como a usamos. A sensação de "liberdade" que muita gente sente nessas circunstâncias é, para mim, incompreensível.

Talvez, para um crente, a referência a Deus ( que fazes ) possa servir para "prestar essas contas", aliviar a angústia de "não pertencer a" e ter paz.

Abraços grandes,
ZR.

Mikael disse...

Apesar de discordar na grande maioria com o que a dita personagem diz concordo que há poucas coisas tão intensas e que transmitam tanto bem estar como esses reencontros.
Espero que o fds tenha sido bom ;)

Nobody's Bitcho disse...

Gostei imenso do post. Por acaso é interessante.


Só é pena que sejam muitos o que não conseguem ver a casa onde cresceram como um sítio seguro... enfim!


Abraços ;)

zibl disse...

/me, olá!
Parece que estavas a pensar o mesmo que eu, quando escreveste isto; e eu o meu post lá para os nossos lados.

Casas seguras... Deixa-me falar-te um movimento interior que observo em mim.

Numa primeira fase, protejo-me; é-me doloroso não mostrar de mim só o melhor; omito-me um pouco; coloco-me a jeito para mostrar-me sob os melhores ângulos...

Depois, isto deixa de ser desejável: quero ser vista, tomada e amada tal como sou; a casa que queria tornar bela para a visita especial, deixei agora de me envergonhar que seja muito menos que perfeita...

Pedra de toque pessoal. Quando deixa de fazer sentido dizer a mais pequena mentira a uma pessoa, deixa de fazer sentido esconder dela seja o que for sobre mim - apaixonei-me por essa pessoa.

Beijitos! (e da li, também)

/me disse...

:D

De facto, estamos em sintonia, eheh.

Beijos grandes, para as duas. :)