22.8.06

Pai Natal


Não me lembro de acreditar no Pai Natal, nem sei se alguma vez acreditei. Penso que não, que na minha casa a criatura sempre foi vista como natural de outras paragens e culturas.

Tudo isto para dizer que todos temos alguns Pais Natais aos quais nos agarramos, umas pequenas ingenuidades ou optimismos que fazemos por manter, mesmo quando o mundo nos insiste em mostrar que estamos enganados.

Um dos meus maiores Pais Natais consiste em acreditar no lado bondoso de qualquer pessoa. Acredito verdadeiramente que se dermos sempre a outra face, e respondermos sempre com amor a uma determinada pessoa, acabará por compensar. Acredito na bondade intrínseca das pessoas, que sem outros condicionamentos seria o que se revelaria. Se as pessoas assim não o são, é como resposta a estímulos negativos, a problemas por resolver, distúrbios mentais/hormonais/psicológicos, ou, na maior parte dos casos, falta de referências. Mas quando "submetidas" a uma dose coerente e consistente de bondade e amor, tudo vai ao sítio, nem que demore mil anos.

Ao longo dos vários anos, a vida tem-me gritado ao ouvido "o Pai Natal não existe, o Pai Natal não existe". Mas custava-me tanto abandonar a minha visão cor de rosa da vida, incrementar o meu cinismo... Porém, surpreendentemente, nestes últimos dias tenho recebido provas da existência do senhor das prendas. Mesmo a tempo. :)

11 comentários:

secret him disse...

Vês, vês?

Eu costumo dizer que quando morrermos temos aquilo em que acreditámos. Para uns será o céu, para outro o inferno, para outros será simplesmente a não existência.

Enquanto vivemos temos é q acreditar e agir consoante o que acreditamos. A toda a hora nos são dadas provas que vale a pena ter causas.

Adorei o teu post,

Abraço

Secret Him

Aequillibrium disse...

Acho que deves continuar. Essa tua visão cor de rosa da vida, é partilhada por mais pessoas. Tal como tu, também acho que se deve sempre tentar, esperar, e um dia, como tu bem o dizes, tudo vai ao sítio.
Continua a acreditar. Eu também acredito.

Vítor Mácula disse...

Alô, /me!

Boa!... Eu cá também acredito nesse Pai Natal... O problema é, naturalmente, o raio dos por vezes mil anos, mas pronto ;)

Abraço!

Anónimo disse...

Ainda bem que tens provas para acreditar nisso.

A mim fizeram-se passar por coisas ou pessoas que não o eram... Depois fizeram-se de bondosas e só se fod*ram... Quiseram, supostamente, dizer a verdade e só se fizeram acabar mal e fazer com que eu acreditasse que essa pessoa não estava a aser correcta.

E, até agora, ainda não tirei isso da cabeça.

"Pitifull reaction, pitifull idea
Pitifull reaction, I'll clob you in the ear.

I'll put you in the back, dear
I'll punch you in the face
I'll put you in the back because you never know your place"

That's it.

Mr Fights disse...

adorei o post.

conseguiste um 2 em 1:

- um post excelente;
- estragar qualquer futuro post acerca do natal que um dos teus leitores possa escrever na época natalícia. :p

Gorduchita disse...

Ainda bem que continuas a acreditar! É importante!
Mas convém, de qualquer modo, estar prevenido...

Maria Clarinda disse...

Como eu te entendo!Mas cuidado, as bofetadas por vezes são bem fortes!
Continua assim.

Anónimo disse...

O Pai Natal não existe? Então quem é que me tem dado aqueles presentes? Os meus pais?

Jaime
www.blog.jaimegaspar.com

cate disse...

Pois, mas na sociedade em que vivemos hoje, ninguém tem tempo para "bondades", infelizmente. E muitas vezes os outros aproveitam-se da nossa bondade, o que é ainda mais frustrante.
É isso que me faz pensar outra vez: será que vale a pena ser assim?
É triste não ver frutos provenientes das nossas acções. Acho que isso deve demorar...
E as pessoas não têm tempo para esperar.
Chama-se a isso Comodismo e Egoísmo
Mas é mesmo assim que funciona.

Pelo pouco que vi do blog, gostei mto, continua ;)

/me disse...

Obrigado por todos os comentários. :)

Cate, eu acho que vale a pena ser assim. Claro, não devemos deixar que nos tomem por parvos, mas vale a pena ter princípios e valores, mesmo que às vezes isso nos faça sofrer. Pelo menos ajuda a dormir à noite. E acredito que a longo prazo é, mesmo do ponto de vista egoísta, o melhor. É a forma de sermos mais fiéis a nós mesmos. :)

Beethoven disse...

Extraordinária resposta, a do Jaime.
Reflecte bem, com ironia,
a necessidade dos arquétipos,
neste caso o da Bondade.
Os pais não são arquétipos,
porque não são perfeitamente bondosos!

Eu acredito no Pai-Natal
e durmo com ele quase todas as noites.
Digo quase, pois também há noites
em que me deito com a Cinderela.

Agora, um rasgo de exagerada ingenuidade:
já cheguei a beijar um sapo.
Mas... nada!
Ele há estórias
que nunca deviam ser contadas!